terça-feira, 20 de maio de 2014

Novo ano, novas ações

Novo ano, novas ações

Consultores e leitores indicam as práticas a serem alteradas para aprimorar o trabalho docente

O desejo de mudança faz parte da natureza humana. Com um novo ano, vem a cobrançainterna e externa por novas atitudes. Mas antes de fazer a lista de promessas pense bem. Você já parou para refletir sobre sua atuação? Que estratégias pretende deixar de fora este ano? "O 
professor
 reflexivo é sujeito do trabalho que realiza. O docente que age irrefletidamente ou fica submetido a modismos vai ser apenas um executor", afirma Celina Fernandes, consultora para a área de linguagem. O exercício permanente de avaliação da prática acende o sinal de alerta sobre o que precisa ser modificado. 


Esse pensar não precisa ser solitário e deve estar sempre conectado ao contexto e aos objetivos da escola como um todo. A opinião de colegas e a orientação da equipe gestoraajudam a analisar as questões críticas sob diferentes perspectivas. "É necessário haver estímulo constante na própria escola para isso. A reflexão evita que você caia em mecanicismos. O Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC) é um dos momentos para fazer isso de forma qualificada e buscar soluções", diz Bernardete Gatti, pesquisadora consultora da Fundação Carlos Chagas (FCC). 

Como estímulo a essa reflexão, NOVA ESCOLA promoveu uma enquete sobre quais práticas os professores decidiram abandonar em 2014. Durante dezembro e janeiro, leitores de todo o Brasil enviaram comentários para o site e a página do Facebook da revista. As mensagens recebidas foram divididas em cinco temas: avaliação, formação, planejamento, gestão de sala e relacionamento com as famílias. Abaixo e na página seguinte, você confere as principais sugestões enviadas e os comentários de especialistas em cada área.
Avaliação
As escolas têm de analisar as finalidades da avaliação e evitar que se fortaleça a visão deprocessos classificatórios e seletivos. "O ideal é que ela seja uma atividade inerente ao processo de ensino e aprendizagem e permita investigar o estágio de desenvolvimento do aluno para ajudá-lo a avançar", diz Sandra Zákia Sousa, da Universidade de São Paulo (USP). 
O que abandonar
O que fazer
Fazer exames sem explicitar os critérios
e os objetivos.
Deixar claro para a turma o que se espera em cada atividade avaliativa.
Usar a avaliação para punir o aluno.Colocar a prova a serviço da aprendizagem.
Realizar apenas provas.Avaliar ao longo das aulas, com
diversas atividades.
Expor e ridicularizar quem tira notas baixas.Buscar entender os motivos que levam
a um mau resultado.
"Devemos deixar de lado a avaliação que só prejudica. Ela deve ser diária e constante."
Cristina Macke, professora

Formação
graduação costuma ser genérica e, em muitos casos, não fornece nenhuma compreensão aprofundada do sistema escolar e de suas práticas. "A formação continuadapode ajudar o iniciante a superar os desafios de ingresso na carreira e servir de estímulo ou como atualização para aqueles com mais tempo de profissão", avalia Bernardete Gatti, da FCC.
O que abandonar
O que fazer
Ignorar o que se aprende nas formações.Refletir sobre os aprendizados obtidos e colocar em prática o que vale a pena.
Contentar-se com os conhecimentos obtidos durante a graduação ou a experiência profissional.Buscar formação continuada para aperfeiçoar constantemente a
prática docente.
Desconhecer as orientações curriculares
da rede.
Conhecer os direitos de aprendizagem e outros documentos importantes para
definir os conteúdos.
Fazer cursos descolados da realidade da escola em que atua.Buscar cursos que façam sentido para sua carreira e para o local em que trabalha.
"Só em 2013, conheci os Direitos de Aprendizagem e passei a fazer um trabalho mais pautado em resultados."
Waydja Cavalcanti, professora

Texto retirado do site Nova Escola da Editora Abril 
http://revistaescola.abril.com.br/formacao/novo-ano-novas-acoes-praticas-docente-782873.shtml acessada as 15:27 do dia 19/05/2014

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